Mauro chora após a decisão do Parlamento
Tenho acompanhado nos jornais e no rádio a algumas semanas o caso do angolano Mauro Manuel. O menino chegou a Holanda como refugiado aos 10 anos de idade (2003), agora aos 18, luta no parlamento holandês pelo direito de continuar vivendo aqui.
Mauro mora na província de Limburg com a mesma família holandesa que o abrigou desde que desembarcou nessa terra desacompanhado. A mãe, preocupada com o futuro do filho, literalmente meteu-o num avião em meio ao país devastado após uma guerra civil, com instruções para que procurasse asilo. Ele agora enfrenta deportação, porque se tornou adulto e nunca conseguiu realmente o status de refugiado. O tribunal votou contra a sua permanência no país na última semana, os advogados de Mauro tentam apelar para um visto de estudante, no que segundo as leis na Holanda, tem que ser requerido no país de origem.
Mauro fala Holandês fluente, tem uma ótima conduta, é querido pelos locais na vila onde mora e ótimo aluno. A situação ficou ainda mais complicada, pois a mãe ainda é viva na Angola, mas eles não tem mais contato. Mauro considera a família que o adotou como seus pais e a Holanda como seu país.
No dia 1 de novembro, o Parlamento votou contra ao apelo emocionado de Mauro. Seu advogado agora pretende levar o caso a Corte Europeia de Direitos Humanos, a UNICEF também se pronunciou a seu favor, alegando que a expulsão do jovem, depois de oito anos de plena e bem sucedida integração, viola a convenção das Nações Unidas sobre o direito das crianças.
Trecho do apelo de Mauro ao tribunal: "Contra a minha vontade, tornei-me símbolo para todos os jovens que procuram asilo sozinhos, mas preferia ser um símbolo da integração na sociedade holandesa"
O caso ganhou dimensão nacional e internacional. A família que o acolheu não quer perder o 'filho' e mais de 55 mil pessoas assinaram uma petição, dirigida ao parlamento, para que fosse concedida autorização de residência a Mauro. Na última terça-feira, 700 pessoas juntaram-se no parlamento, com várias figuras públicas de diversas áreas. O problema é que Mauro Manuel é vítima da política mão de ferro do PVV. Há partidos que o apoiam, mas existe uma campanha movida pelo partido anti-emigração, e que exige a expulsão do angolano, ameaçando retirar apoio ao Partido Liberal, no poder, se Mauro for autorizado a ficar. Segundo o PvdA e o Partido Cristão, existe atualmente cerca de 800 crianças na Holanda que esperam a mais de oito anos por um visto de permanência e logo estarão nas mesmas condições que o angolano, ou seja, sendo deportadas.
Mauro mora na província de Limburg com a mesma família holandesa que o abrigou desde que desembarcou nessa terra desacompanhado. A mãe, preocupada com o futuro do filho, literalmente meteu-o num avião em meio ao país devastado após uma guerra civil, com instruções para que procurasse asilo. Ele agora enfrenta deportação, porque se tornou adulto e nunca conseguiu realmente o status de refugiado. O tribunal votou contra a sua permanência no país na última semana, os advogados de Mauro tentam apelar para um visto de estudante, no que segundo as leis na Holanda, tem que ser requerido no país de origem.
Mauro fala Holandês fluente, tem uma ótima conduta, é querido pelos locais na vila onde mora e ótimo aluno. A situação ficou ainda mais complicada, pois a mãe ainda é viva na Angola, mas eles não tem mais contato. Mauro considera a família que o adotou como seus pais e a Holanda como seu país.
No dia 1 de novembro, o Parlamento votou contra ao apelo emocionado de Mauro. Seu advogado agora pretende levar o caso a Corte Europeia de Direitos Humanos, a UNICEF também se pronunciou a seu favor, alegando que a expulsão do jovem, depois de oito anos de plena e bem sucedida integração, viola a convenção das Nações Unidas sobre o direito das crianças.
Trecho do apelo de Mauro ao tribunal: "Contra a minha vontade, tornei-me símbolo para todos os jovens que procuram asilo sozinhos, mas preferia ser um símbolo da integração na sociedade holandesa"
O caso ganhou dimensão nacional e internacional. A família que o acolheu não quer perder o 'filho' e mais de 55 mil pessoas assinaram uma petição, dirigida ao parlamento, para que fosse concedida autorização de residência a Mauro. Na última terça-feira, 700 pessoas juntaram-se no parlamento, com várias figuras públicas de diversas áreas. O problema é que Mauro Manuel é vítima da política mão de ferro do PVV. Há partidos que o apoiam, mas existe uma campanha movida pelo partido anti-emigração, e que exige a expulsão do angolano, ameaçando retirar apoio ao Partido Liberal, no poder, se Mauro for autorizado a ficar. Segundo o PvdA e o Partido Cristão, existe atualmente cerca de 800 crianças na Holanda que esperam a mais de oito anos por um visto de permanência e logo estarão nas mesmas condições que o angolano, ou seja, sendo deportadas.
Como a palavra chave na Holanda é coerência, (e eu nem vou entrar em muitos detalhes desse caso vergonhoso), ironicamente na mesma semana em que Mauro chorou em frente aos Ilustríssimos parlamentares holandeses tentando conseguir sua permanência, o brasileiro Douglas Franco Teixeira, 23 anos, jogador do Twente FC, se tornou um "dutchman", perante a lei lógico, não aos outros holandeses, já que Douglas não fala bem o idioma e apenas fez um curso de 1 ano de integração. Jogando á 5 anos pelo clube holandês, Douglas é idolatrado pelo fãns e foi nomeado pela UEFA como o jogador mais talentoso de 2010.
Para alguns, a concessão da cidadania a um jogador de futebol que só se mudou para cá como um adulto ao mesmo tempo, negar a alguém que passou boa parte de sua infância neste país é uma expressão preocupante da trajetória desumana que a política de imigração holandesa está tomando. Dizem as más línguas, que quem mexeu os pauzinhos para que o jogador brasileiro conseguisse a cidadania foi o técnico atual da seleção, senhor Bert van Marwijk, já de olho na próxima Copa do Mundo. Já Douglas abdicou da cidadania brasileira visando as possibilidades que a sua nova cidadania pode trazer. Ainda não é certo se Douglas poderá ou não defender a seleção na próxima Copa, a FIFA só dará o veredito em 2012, mas para quem já conseguiu um passaporte sem muita burocracia e logo na Holanda, vocês ainda dúvidam que isso aconteçam? Aqui ele já é conhecido como ex-brasileiro Douglas, não como o holandês Douglas, coisa que não deve abalar a moral do nosso querido Douglas.
PS. A quem possa interessar, existe até um Game Show por aqui que tenta chamar atenção para o que vem acontecendo com refugiados na Holanda.
Para alguns, a concessão da cidadania a um jogador de futebol que só se mudou para cá como um adulto ao mesmo tempo, negar a alguém que passou boa parte de sua infância neste país é uma expressão preocupante da trajetória desumana que a política de imigração holandesa está tomando. Dizem as más línguas, que quem mexeu os pauzinhos para que o jogador brasileiro conseguisse a cidadania foi o técnico atual da seleção, senhor Bert van Marwijk, já de olho na próxima Copa do Mundo. Já Douglas abdicou da cidadania brasileira visando as possibilidades que a sua nova cidadania pode trazer. Ainda não é certo se Douglas poderá ou não defender a seleção na próxima Copa, a FIFA só dará o veredito em 2012, mas para quem já conseguiu um passaporte sem muita burocracia e logo na Holanda, vocês ainda dúvidam que isso aconteçam? Aqui ele já é conhecido como ex-brasileiro Douglas, não como o holandês Douglas, coisa que não deve abalar a moral do nosso querido Douglas.
Em meio a esta apaixonante discussão, corre mundo a imagem de Mauro Manuel em lágrimas. O angolano está perdendo a batalha.
PS. A quem possa interessar, existe até um Game Show por aqui que tenta chamar atenção para o que vem acontecendo com refugiados na Holanda.









10 comentários:
Deus ajude esse rapaz angolano! Mas com tanta gente do lado dele, acho difícil mandarem ele embora! Se mandarem, vai queimar o filme legal e aí, adeus eleições! Agora é torcer por ele!
Bjs!
Espero que algo seja feito e ele fique aí. Já não basta tudo o que ele passou pra chegar até a Holanda, agora é tratado desta forma.
Beijo e bom domingo,
MArília
Beijo
Eu tinha até pensado em fazer um post sobre isso, mas meu sangue ferve tanto que eu achei melhor não. Esse menino virou marionete nas mãos dos políticos, cada político usando a imagem dele pra puxar a sardinha pro próprio partido, lamentável!
Eu leio cada coisa nos jornais de manhã, naqueles que entregam de graça na estação, sabe? Em um deles, acho que é o Metro, tem uma parte onde os leitores enviam e-mails com opiniões, e eu já li cada barbaridade ali...
Triste, lamentável!
Sim ele nao é uma caso isolado, existem oficialmente 800 crianças que aguardam o visto de refugiado, e 80 só esse ano serão deportadas. Mas se pelo menos esse caso chamar a atenção, alguma coisa mude.
beijos
Que história mais complicada e triste!!
Eu acho que a xenofobia sempre foi forte pela Europa que fica claro pelas leis. Mas ficamos sabendo cada vez mais desses casos porque muitos e muitos moradores da Europa não o são e porque a multiculturalidade está ai.
É um impasse entre o que o passado e o futuro.
adorei o seu blog! parabéns!!
beijos
Sandra
É a primeira vez que visito o seu blog e me emocionei com esse post.Essa foto fez doer o meu coração. O difícil é entender o porquê de deportar um imigrante que fez tudo para se integrar na sociedade holandesa.
Abraços
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